
Wednesday, November 25, 2009
(:

Friday, November 20, 2009
Guimarães em gotas
e, ao descobrir, no meio da mata, um angelim que atira para cima cinquenta metros de tronco e fronde, quem não terá ímpeto de criar um vocativo absurdo e bradá-lo - Ó colossalidade! - na direção da altura?
E não é assim que as palavras têm canto e plumagem.
Rosa, 1984, p.253 Sagarana
Eu mesmo não gostei. Mas a minha poesia viajara muito e agora estava bem depois do nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo. Isso me perturbou, escrevi: Ou a perfeição, ou a pândega!
Rosa, 1984, p.255 Sagarana
Wednesday, October 28, 2009
;)
Because I feel so well
No sobs, no sorrows, no sighs
This can’t be love
I get no dizzy spells
My head is not in the skies
My heart does not stand still
Just hear it beat
This is too sweet to be love
This can’t be love
Because I feel so well
I love to look in your eyes
I love to look in your eyes
Friday, October 23, 2009
Tuesday, September 29, 2009
Alejo Canpentier, em "El Reino de este Mundo"
ah, como não?
Não me sorrias à sombria fronte,
Ai! sorrir eu não posso novamente:
Que o céu afaste o que tu chorarias
E em vão talvez chorasses, tão somente.
E perguntas que dor trago secreta,
A roer minha alegria e juventude?
E em vão procuras conhecer-me a angústia
Que nem tu tornarias menos rude?
Não é o amor, não é nem mesmo o ódio,
Nem de baixa ambição honras perdidas,
Que me fazem opor-me ao meu estado
E evadir-me das coisas mais queridas.
De tudo o que eu encontro, escuto, ou vejo,
É esse tédio que deriva, e quanto!
Não, a Beleza não me dá prazer,
Teus olhos para mim mal têm encanto.
Esta tristeza imóvel e sem fim
É a do judeu errante e fabuloso
Que não verá além da sepultura
E em vida não terá nenhum repouso.
Que exilado - de si pode fugir?
Mesmo nas zonas mais e mais distantes,
Sempre me caça a praga da existência,
O Pensamento, que é um demônio, antes.
Mas os outros parecem transportar-se
De prazer e, o que eu deixo, apreciar;
Possam sempre sonhar com esses arroubos
E como acordo nunca despertar!
Por muitos climas o meu fado é ir-me,
Ir-se com um recordar amaldiçoado;
Meu consolo é saber que ocorra embora
O que ocorrer, o pior já me foi dado.
Qual foi esse pior? Não me perguntes,
Não pesquises por que é que consterno!
Sorri! não sofras risco em desvendar
O coração de um homem: dentro é o Inferno.
Lord Byron
Friday, September 18, 2009
O Medo

Em verdade temos medo.
Carlos Drummond de Andrade
Thursday, September 03, 2009
apesar da quarta-feira...
Sunday, August 30, 2009
Ao astronauta - Saramago
A miséria, o luto, e outra vez a fome.
Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.
No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.
Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.
Friday, June 19, 2009
Saturday, May 09, 2009
Anti-Solar
Não sabem de quem.
Um do outro, da garoa, do escuro
São dois loucos sem saber
De quem apanham. Pra quê.
Da morte, do longe, do frio,
Da filosofia, da banalidade.
Da saudade.
Apanham um do outro. É escuro e madrugada.
Se perseguem, se riscam, se tocam paralíticos.
Paralítica é a noite e a lua. É a posse.
Paralítico é mais o medo e
O sonho é metade sonolento.
Um segue o outro. Apanha.
Ele desvencilha. O outro é sempre o outro.
Um é, às vezes, outro. E apanha
Daquela mão que supunha sua.
Não sabem que vão apanhar
De algum raio solar perdido na noite
Que espera dois loucos
Para matar-lhes o amor.
Fernanda Lobo
Monday, April 06, 2009
Ode Marítima

Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve com uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha.
Ah, quem sabe, quem sabe,
Se não parti outrora, antes de mim,
Dum cais; se não deixei, navio ao sol
Oblíquo da madrugada,
Uma outra espécie de porto?
Quem sabe se não deixei, antes de a hora
Do mundo exterior como eu o vejo
Raiar-se para mim,
Um grande cais cheio de pouca gente,
Duma grande cidade meio-desperta,
Duma enorme cidade comercial, crescida, apopléctica,
Tanto quanto isso pode ser fora do Espaço e do Tempo?
Fernando Pessoa
Sunday, February 08, 2009
Wednesday, January 28, 2009
Deleuze, n'O Abecedário
Lua e Panorama dos Insetos
(O poeta pede ajuda à Virgem)
Peço à Divina Mãe de Deus,
Rainha celeste de todas as coisas criadas,
que me dê a pura luz dos animaizinhos,
que têm uma só letra em seu vocabulário,
animais sem alma, simples formas,
longe da desprezível sabedoria do gato,
longe da profundeza fictícia dos mochos,
longe da escultórica sapiência do cavalo,
criaturas que amam sem olhos,
com um só sentido de infinito ondulado
e que se agrupam em grandes montões para
serem comidos pelos pássaros.
Peço a única dimensão
que têm os pequenos animais planos,
para desviar-se de coisas cobertas de terra
sob a dura inocência do sapato;
não há quem chore porque compreenda
o milhão de mortezinhas que tem o mercado,
essa multidão chinesa de cebolas decapitadas
e esse grande sol amarelo de velhos peixes esmagados.
Tu, Mãe sempre temível. Baleia de todos os céus.
Tu, Mãe sempre gracejadora.
Vizinha da salsa pesteada.
Sabes que eu abarco a carna mínima do mundo.
Lorca
Thursday, November 27, 2008

Sunday, November 02, 2008

Filhos de Orlon
Laura Erber
talvez porque prefira luz hiperbórea ao suor
fluorescência ao tato, brilho ao calor
já não quer saber do impacto narrativo
das mulheres cavalgando pela noite
em perfeitos conjuntinhos Edith Head
um torpedo do novo século leva o (amor) trivial
às alturas mal nascemos
nos embrulham em nylon
alarac dacron orlon
você e eu já nascemos com emoções
desconexas e courp vegetal
em 2007 um homem inventou a pílula
anti-arroto para vacas (reduz o efeito estufa)
mas isso ainda não explica porque algumas mulheres
param de comer
considerando as contradições sim ser
contemporâneo e mesmo
excitante
mas se por falta de peso ou de
umidade na córnea
eu preferir anacronismos
ao futuro da Sony Style
uma viagem de retorno
aosonho de mármore
de um escultor antigo deixar
que a gravidade- sobre
uma ninfa caindo
no bueiro, tudo bem-
faça o trabalho das dobras
faça dizer "moluscos"
polpudos! que me
roubaram 5
sonos da infância
e lembrar o vestido
que nas mesmas férias
(com a ajuda de um menino triste) tentamos
construir com sardinha
e algas
talvez seja só um furo no tempo
ou meu ciclo circadiano
comod izer a beleza ton-sur-ton
dos andarilhos da 040
quando
a memória do Atlântico
faz o seu retorno
em chuva ácida
(o strecht não era infalível
como pensamos)
Friday, October 17, 2008
Compadres...






