Tuesday, October 31, 2006


" Os indígenas foram derrotados também pelo assombro. O imperador (asteca) Montezuma recebeu em seu palácio as primeiras notícias: um grande 'monte' andava se mexendo pelo mar. Outros mensageiros chegaram depois: '[...] muito espanto lhe causou ao ouvir como dispara um canhão, como ressoa seu estrépito, como derruba as pessoas; e atordoam-se os ouvidos. E quando sai o tiro, uma bola de pedra sai de suas entranhas: vai chovendo fogo [...]'. Os estrangeiros traziam 'veados', nos quais montavam e ficavam 'das alturas dos tetos'. Por todas as partes tinham o corpo envolto, ' somente as caras aparecem. São brancas, como se fossem de cal. Têm cabelo amarelo, embora alguns o tenham preto. Sua barba é grande [...]'. Montezuma acreditou que era o deus Quetzalcoatl que voltava. " (GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América)


[...]


" No México, os astecas cultuavam o deus Quetzalcoatl. Ele personificava a sabedoria e o conhecimento e foi quem lhes deu, entre outras coisas, o chocolate.Os astecas acreditavam que Quetzalcoatl trouxera do céu para o povo as sementes de cacau. Eles "festejavam" as colheitas com rituais de sacrifícios humanos, oferecendo às vítimas taças de chocolate.Um dia, Quetzalcoatl ficou velho e decidiu abandonar os astecas. Partiu em uma jangada de serpentes para o seu lugar de origem, a Terra do Ouro. Antes de partir, porém, ele prometeu voltar no ano de "um cunho", que ocorria uma vez a cada ciclo de 52 anos no calendário que ele mesmo criara para os astecas. "

Friday, October 27, 2006



"O meu mundo não é como o dos outros;
quero demais, exijo demais,

há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante que nem eu mesma compreendo.

Estou, no entanto, longe de ser uma pessimista,
sou antes uma exaltada!

Com uma alma intensa, violenta, atormentada,
uma alma que não se sente bem onde está,
que tem saudade...
sei lá de quê!"

_Florbela Espanca

Wednesday, October 25, 2006

I have a question: what the bleep do we know?


Rodrigo:
td q eu leio
(17:49) Rodrigo:
é q a palavra chave de hj
(17:49) Rodrigo:
da filososfia pós-moderna
(17:49) Rodrigo:
é " relatividade"
(17:50) Rodrigo:
td é relativo
(17:50) Rodrigo:
até mesmo nas matérias mais positivistas
(17:50) Rodrigo:
como quimica ou fisica
(17:50) Rodrigo:
os modelos subsistem ate descobrirem outro
(17:50) Rodrigo:
ou passam a servir apenas pra um pedaço dos fenomenos
(17:51) (: fê .:
putz
(17:51) (: fê .:
oh, céus!
(17:52) (: fê .:
lá se vao nossos paradigmas mais resistentes
(17:52) (: fê .:
em que nós vamos acreditar agora, irmao?
(17:52) (: fê .:
se nao mais nem na ciencia???
(17:52) (: fê .:
OH
(17:52) (: fê .:
que diabo é isso?
(17:52) Rodrigo:
na ciência mana ?
(17:52) Rodrigo:
a ciencia serve pra matéria
(17:52) Rodrigo:
essa ciencia capitalista
(17:52) (: fê .:
e a matéria é o mais baixo calao das coisas que existem.
(17:52) Rodrigo:
ciencia pragmática
(17:530 (: fê .:
por detrás de uma coisa material existem 700 milhoes de pensamentos
(17:54) (: fê .:
e suposiçoes e negaçoes ou confirmaçoes
(17:54) (: fê .:
até aquilo se concretizar como matéria.
(17:54) Rodrigo:
sim sim
(17:54) (: fê .:
entao, a matéria é a coisa mais rasa que tem
(17:54) (: fê .:
perto de tudo que existe ,sabe?

Rodrigo:
quer fritar ?
(17:55) Rodrigo:
olhe pra um objeto ae
(17:55) Rodrigo:
veja seus detalhes
(17:55) Rodrigo:
agora pense ?
(17:55) Rodrigo:
como vc tem consciencia desse objeto
(17:55) Rodrigo:
como vc vê ele ?
(17:55) Rodrigo:
quem vê ele ?
(17:55) Rodrigo:
sao os olhos ?
(17:55) Rodrigo:
é o cérebro ?
(17:55) Rodrigo:
vc é o cérebro que tem consciencia ?
(17:56) Rodrigo:
ou o cérebro é só um orgão
(17:56) Rodrigo:
e quem capta as sinapses do cérebro
(17:56) Rodrigo:
??
(: fê .:
é... ter certeza de alguma coisa
(17:58) (: fê .:
é tao inseguro quanto nao ter.
(17:58) Rodrigo:
aham
(17:59) Rodrigo:
mas qdo a gente pensa assim
(17:59) Rodrigo:
" sou eu e meu espírito.."
(17:59) Rodrigo:
é uma coisa
(17:59) Rodrigo:
mas se vc pensa
(17:59) Rodrigo:
" sou eu e meu corpo..."
(17:59) Rodrigo:
o espírito é a unidade consciente e pensante
(17:59) Rodrigo:
é diferente
(18:00) (: fê .:
de fato.
(18:00) (: fê .:
corpo nao infere à consciencia
(18:00) (: fê .:
e aí vai dizer que a única coisa certa é o espírito?
(18:00) (: fê .:
e o que é espírito?

[...]


(: fê .:
quem tá preocupado com "que porra sabe?" hoje, digo?
(18:32) (: fê .:
sabe de nada e quer é continuar sem saber de nada
(18:32) (: fê .:
pagando 300 conto em cada sertanejo
(18:33) (: fê .:
e enchendo a cara pra anestesiar a dor que é a sua própria companhia pra si.
(18:33) Rodrigo:
a ignorancia é uma benção né, mana?
(18:33) Rodrigo:
aristóteles ja disse
(18:33) Rodrigo:
o tal
(18:33) Rodrigo:
só sei q nada sei
(18:33) Rodrigo:
mas explicar as coisas
(18:33) Rodrigo:
é outra coisa, mais difícil do que saber delas
(18:33) Rodrigo:
então melhor fazer um leilão pelo coração
(18:33) Rodrigo:
repetidas e reiteradas vezes
(18:34) Rodrigo:
ir pro carná qq coisa
(18:34) Rodrigo:
outras tantas vezes
(18:34) Rodrigo:
e só
(18:35) (: fê .:
dormem, dormem...
(18:35) (: fê .:
há mais quem durma do que quem acorde
(18:35) (: fê .:
vai ser sempre assim?
(18:35) (: fê .:
foi sempre assim?
(18:35) (: fê .:
acordar dói.
(18:36) Rodrigo:
vai ser ainda mto tempo assim
(18:36) Rodrigo:
mas nem todos
(18:36) Rodrigo:
a lei da evolução pra mim é mto democrática
(18:36) Rodrigo:
acerta a todos
(18:36) Rodrigo:
qq hora dessa....
(18:37) (: fê .:
de alguma forma, as coisas acabam sendo justas e certas no fim. eu acho...

[...]

Rodrigo:
imagina mana
(18:39) Rodrigo:
a gente se encontrando
(18:39) Rodrigo:
enquanto espíritos
(18:40) Rodrigo:
e dizendo " nóóóó´q doido"
(18:40) Rodrigo:
é assim mesmo
(18:40) Rodrigo:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
(18:40) (: fê .:
hauihauiahuiahuiahuiahui
(18:40) (: fê .:
acho que os espíritos iam até ser parecidos
(18:40) (: fê .:
mas eu ia olhar assim:
(18:40) (: fê .:
putz...isso sou eu quando crescer, cara!!!
(18:41) Rodrigo:
e do jeito q sao nossos pensmentos
(18:41) Rodrigo:
vo te achar facim
(18:41) Rodrigo:
por sintonia
(18:41) Rodrigo:
afinidade
(18:41) Rodrigo:
quem chegar la primeiro espera o outro hein ?
(18:42) (: fê .:
combinado.
(18:42) (: fê .:
combinado agora nessa medida cronológica chamada 18:42 do dia 24/10/06.
(18:42) (: fê .:
hauihauiahuiahauiahauihaahuaihauia
(18:42) Rodrigo:
uhauhauhauhauahauhauhaha
(18:43) Rodrigo:
macooooooonhaaaaaaaa
(18:43) Rodrigo:
só pode
(18:43) Rodrigo:
a gente nem usa pra fritar...

[...]

isso é o que a gente faz com 54 minutos de conversa de computador!
e, sim! a gente tem mais o que fazer...
e das coisas que TEMOS que fazer pensar está incluso.

hasta, hermano! :*

Sunday, October 22, 2006





Quereria que amanhã não fosse tarde para dizer "eu te amo" hoje.
Suplicaria por isso a quem quer que fosse: amanhã não ser daqui a pouco tempo demais.

Tempo de ver fenecer o que se tem hoje.
É penoso admitir, eu sei. Mas amanhã já é bem tarde pra esses que amam demais.

Pra quem ama demais, tarde é breve. E tudo é tão grande e tão talvez inexprimível.
Tudo é tão grande e tão talvez...
Amanhã pode estar imortal o amor. Mas o "eu te amo" de hoje morreu... E ele morre bem vazio, bem desperdiçado, bem morno.

E talvez - pra que dizer "eu te amo"? Pra não ser tarde?
E pra ter raiva, mais tarde.
Mais tarde se tem raiva de se dizer um clichê pra quem também é.
Tudo bem. Eu não amaria clichês...

Mas eu sei que eu amaria clichês,
Seria completamente capaz de amá-los,
Porque meu apego se classifica tão ridículo quanto todos esses amores tidos.

Se amanhã não fosse excessivamente tarde pra dizer "eu te amo" hoje,
Aí eu pensaria menos em dizer. Ou menos pra dizer.
Pensaria bem menos em jargões, em palavras, em coisas tardias...
Mas amanhã é breve e bem rápido e bem tarde...



E eu aqui. Sem dizer de amor. Sem dizer de nada. Pensando em clichês parcos, em desperdícios medíocres. Desperdiçando cogitações em coisas mornas...
Ridículo. Ridículo tanto quanto o que foi dito de amor.


Fernanda Lobo

Wednesday, October 18, 2006


um dia degradê
começa com faces pálidas
avança com frontes cálidas.

um pouco de fumê,
embaçando fontes típicas
burlando mentes frígidas.

um pouco de blasé,
nenhum esforço válido,
em algum sentido ávido.

um pouco de azul,
passando pelo físico
chegando ao topo mágico.

se deita em um jornal
o degradê estúpido
dia findo em branco-pássaro.

Fernanda Lobo (para: Carol)

Tuesday, October 17, 2006


grávida

Arnaldo Antunes

eu tô grávida
grávida de um beija-flor
grávida de terra
de um liquidificador

e vou parir
um terremoto, uma bomba, uma cor
uma locomotiva a vapor
um corredor

eu tô grávida
esperando um avião
cada vez mais grávida
estou grávida de chão

e vou parir
sobre a cidade
quando a noite contrair
e quando o sol dilatar
dar à luz

eu tô grávida
de uma nota musical
de um automóvel
de uma árvore de Natal

e vou parir
uma montanha, um cordão umbilical, um anticoncepcional
um cartão postal

eu tô grávida
esperando um furacão, um fio de cabelo, uma bolha de sabão

e vou parir
sobre a cidade
quando a noite contrair
e quando o sol dilatar
vou dar a luz .

" A tradição é a personalidade dos imbecis. "

Einstein

Wednesday, October 11, 2006

Grito Interno


A quebra do silêncio que só você escuta.
A quebra do silêncio que só, você escuta.

CG

Friday, October 06, 2006

L'air du large- Claude Théberge

panis et circensis-

eu quis cantar
minha canção iluminada de sol

soltei os panos sobre os mastros no ar

soltei os tigres e leões nos quintais

mas as pessoas da sala de jantar
são ocupadas em nascer
.
.
.
.
.
.
e morrer.

Tuesday, October 03, 2006

Não sabendo que era inevitável, foi lá e mudou.

Não pude não re-pensar o que se faz, politicamente, no mundo por estes dias nessa atmosfera eleitoral. Triste por ter que ver uma lamentável crise ética- apoiada por milhões de brasileiros, intencionados em reeleger o presidente Lula- contra um partido explicitamente neoliberal, representado por Geraldo Alckmin- que retoma o governo de FHC, segundo ele mesmo- nessas eleições.

O neoliberalismo parte do princípio de que os indivíduos são estruturados para buscar seu próprio interesse e esses mesmos interesses acabam sendo coletivamente positivos. Gostaria de saber por que os seres humanos não podem ser concebidos como estruturados para colaborar, partilhar.
O supracitado modelo econômico quase retoma um "iluminismo primitivo" quando pressupõe uma natureza egoísta do ser humano e a tem como positiva, em termos de "competitividade natural". Dá-se um darwinismo tão absurdo, quanto incapaz de considerar as capacidades e evoluções intelectuais que levam o ser humano a SER HUMANO.

Pode parecer uma visão pouco pragmática da política, mas um bem-estar social ótimo - no sentido de alcance máximo - só pode emergir espontaneamente em uma sociedade com muita ambição, a maior quantidade de ambição que se possa ter em si, mas ambição para o coletivo. Claro que a cupidez competitivo individual e a ganância são inatos, existem desde sempre, mas eu acredito na capacidade humana de racionalizar, adquirir a percepção de que esse "instinto" só levará à ruína a coletividade e, por último, ele mesmo.

O que seria a livre concorrência neoliberal? O que é ser livre?
A concorrência seria livre no caso de todos os concorrentes terem a possibilidade de partir do mesmo ponto - do capital inicial ao de giro. Mas os seres humanos não nascem iguais. E nem livres.

No Direito é o fato que faz nascer a norma, porque as ações levam ao padrão. Nesse caso, poderíamos dizer que o neoliberalismo é uma ciência um tanto fúnebre, haja vista os números de horror e miséria que esse modelo vem trazendo desde que ganhou força, sendo 80% da riqueza do planeta distribuído por 29 países e os lamentáveis 20% aos outros, aproximadamente, 200 países do globo. Este fato levará a que padrão?

É verdade que ideais como direitos humanos, consciência ambiental e justiça são inegáveis entraves ao auto-interesse e à ordem natural. O que me entristece no neoliberalismo é exatamente serem os nossos bons ideais os empecilhos que tornam a realidade pior do que a teoria.

Por que eu deveria ser considerada errada ao “misturar" valores políticos e sociais à economia? Por que eu teria de agir da mesma forma padronizada por essa idiossincrasia: trabalhar para possuir e possuir para consumir e trabalhar um pouco mais para consumir um pouco mais e assim garantir o equilíbrio desse modelo?

Os países ricos - para ser bem simplista - que condenam os países que tomam medidas protecionistas em suas indústrias nascentes o fazem porque isto "prejudica a economia global". E me diga você porque eles teriam que vender seus produtos a custo mínimo? O que custa isso a um país? E por que motivo os políticos neoliberais afirmam que os sindicatos distorcem mercados? Não são estes também dignos de direitos?

Também estou cansada de pessoas taxarem idéias não-capitalistas de juvenis ou ufanistas, contra a grandíssima experiência e perícia neoliberal. A diferença básica está só em quem aceita o que acha inevitável e quem não aceita. Eu só acredito que a economia não deve estar separada de um pensamento filosófico cognitivo humano e que o enriquecimento válido não é apenas o material.

Pode ser que eu sucumba também uma hora dessas à necessidade de me vestir e de comer, e nem me lembre de ser idealista tendo que dar educação e comida a um filho: outro ser humano. E tudo vai continuar girando como está e milhões de pessoas continuarão morrendo - de fome, falta de calorias (!!!),mas só eu me assombro com isso . Mas aí há de ser só mais um pouco de boas intenções evaporadas pelo grande sol neoliberal. Se ele evapora até todos os direitos humanos e ambientais que se conseguiram com tantas lutas na História, não há de evaporar minhas pequenas (grandes) crenças?
O que é que se pode evitar?

Fernanda Lobo
Claude Théberge; Le Baiser.




Incenso Fosse Música

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além





-Leminski