Thursday, May 15, 2008

enjoy the silence


Tão grande é o meu silêncio

Que poderia escutar uma hóstia pousar sobre uma nuvem,

A floração de estrelas no abismo

E o murmúrio de Deus amando o mundo,

e o múrmurio de Deus... :.

Tuesday, May 13, 2008


" Caso o seu cotidiano lhe pareça pobre, não reclame dele, reclame de si mesmo. Diga para si mesmo que não é poeta o bastante para evocar suas riquezas; pois para o criador não há nenhuma pobreza e nenhum ambiente pobre, insignificante. Mesmo que estivesse em uma prisão, cujos muros não permitissem que nenhum dos ruídos do mundo chegasse aos seus ouvidos, o senhor não teria sempre a sua infância, essa riqueza preciosa, régia, esse tesouro das recordações? Volte para ela a atenção. Procure trazer à tona as sensações submersas desse passado tão vasto; sua personalidade ganhará firmeza, sua solidão se ampliará e se tornará uma habitação à meia-luz, da qual passa loge o burburinho dos outros. "


Rilke

- "Cartas a um jovem poeta"

Sunday, May 04, 2008

Poema da necessidade




É preciso casar João,
é preciso suportar, Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.

Carlos Drummond de Andrade

Saturday, May 03, 2008


"Único e certo é o deserto

Que é fruto do monólogo absoluto."


Cassiano Ricardo

Friday, May 02, 2008




A cidade e os livros - Antonio Cícero

OUTRO EPIGRAMA

Se perdi a inocência
para ganhar o pão de cada dia,
com o suor do próprio rosto
lamento apenas tenha sido tão escassa
a inocência de que eu era servido.

Para que tão facilmente eu a houvesse perdido
e o pão de cada dia, em conseqüência,
me seja, agora, uma simples migalha.

Por que não foi maior minha inocência?


Cassiano Ricardo