Sunday, December 20, 2009

O mundo estava no rosto da amada

-e logo converteu-se em nada, em

mundo fora do alcance, mundo-além.

Por que não o bebi quando o encontrei

no rosto amado, um mundo à mão, ali,

aroma em minha boca, eu só seu rei?

Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi.

Mas eu também estava pleno de

mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei.

Rainer Maria Rilke, Tradução: Augusto de Campos

Saturday, December 19, 2009

devir-viver

eu olho o horizonte, que não tem no chão nada que se possa colher, se não pequenas ilusões massacradas - e nem estamos em guerra - e poucas, pouquíssimas brotando sem adubo - mas essas não são de colher - e eu digo o que diz tchekov quando digo que a vida há de ser surpreendentemente bela.

Fernanda Lobo
Alma, mão, silhueta, riso, fi-sio-no-mia. Toda palavra me diz, todo texto é recitável e sairia da minha boca não fosse o vão torpor de algumas palavras DURAS, escuras, tortas, en...gas...ga...das.


Fernanda Lobo