
Nem preciso de que alguém me entenda.
Ninguém me entender já é o bastante .
Isso de querer demais
Isso de sentir demais coisas muito belas
É isso o que me estraga .
Nem quero que alguém me console .
Ninguém me consolar é o bastante pra que eu perceba que sou só eu .
E isso aqui que agonia demais
Isso que fere demais intencionalmente
É isso o que me tira de só um querer modesto...
Não preciso de juízo ausente.
Sem estar enterrado, ninguém vai entender.
Entender porque eu planto e não quero a ceifa,
Porque eu nasço e não acredito em morte.
E fica isso tudo se debatendo
Isso tudo de chorar e embotar os olhos quando se quer ver
Isso de perder palavras quando se quer dizer de deslumbramento
Isso de querer, e não conseguir sentir nas mãos arrebatamento.
Nem dá pra esperar que alguém perceba
É querer demais que compreendam um denso desconsolo,
Uma enfadonha insatisfação acobertada por placidez.
Não posso exigir que sufoquem suas lógicas ponderadas
Pra entender isso tudo aqui.
Fernanda Lobo





