Sunday, August 22, 2010

"... copiando paisagens de velhos calendários ou flores arrancadas às revistas de bordados, à natureza não, a D. Cláudia temia a natureza, a chuva, o sol, o mar, o vento, ignorava as flores que irrompem dos estrumes, e a própria vida humana, as relações sociais, os pequenos equívocos da convivência, as conversas mais acaloradas assustavam-na. O namoro com o dr. Neto arrastava-se há anos e a culpa não era apenas dele. Um instinto profundo, a que não dava nome, avisava a D. Cláudia de que em tudo havia uma crueza que é melhor não desvendar. Se olhava para dentro de si lá entrevia ao fundo, num relance, essa mesma crueza asfixiada sob cândidos folhetins ou girassóis imaginários. E asfixiava-a mais."'

Uma abelha na chuva - Carlos de Oliveira

Thursday, March 04, 2010

Juan Guelman


mundo

la rosa que amo/¿cómo la cuido yo?/
¿no le hago mal?/
¿no la ajo?/
¿no le corto los pies?/


¿y este acabar?/¿este estar
como no estar?/¿y cómo irse
de vos/rosa?/
¿ayuntar el dolor a lo ya sido?/


¿no entristecerte la bondad/
que los más días se te quema?/
¿y nada?/¿y todo?/

Sunday, January 24, 2010

a green-eyed monster


Então imediatamente resolveu resistir àquele estado de perturbação e inquietação./ Quis que no seu espírito reinasse a ordem; que tudo na casa retomasse o seu ar regular e calmo.


Alves & cia


Eça de Queiroz