Um segue o outro no escuro. Apanham.
Não sabem de quem.
Um do outro, da garoa, do escuro
São dois loucos sem saber
De quem apanham. Pra quê.
Da morte, do longe, do frio,
Da filosofia, da banalidade.
Da saudade.
Apanham um do outro. É escuro e madrugada.
Se perseguem, se riscam, se tocam paralíticos.
Paralítica é a noite e a lua. É a posse.
Paralítico é mais o medo e
O sonho é metade sonolento.
Um segue o outro. Apanha.
Ele desvencilha. O outro é sempre o outro.
Um é, às vezes, outro. E apanha
Daquela mão que supunha sua.
Não sabem que vão apanhar
De algum raio solar perdido na noite
Que espera dois loucos
Para matar-lhes o amor.
Fernanda Lobo
No leito
19 years ago
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