
" Os indígenas foram derrotados também pelo assombro. O imperador (asteca) Montezuma recebeu em seu palácio as primeiras notícias: um grande 'monte' andava se mexendo pelo mar. Outros mensageiros chegaram depois: '[...] muito espanto lhe causou ao ouvir como dispara um canhão, como ressoa seu estrépito, como derruba as pessoas; e atordoam-se os ouvidos. E quando sai o tiro, uma bola de pedra sai de suas entranhas: vai chovendo fogo [...]'. Os estrangeiros traziam 'veados', nos quais montavam e ficavam 'das alturas dos tetos'. Por todas as partes tinham o corpo envolto, ' somente as caras aparecem. São brancas, como se fossem de cal. Têm cabelo amarelo, embora alguns o tenham preto. Sua barba é grande [...]'. Montezuma acreditou que era o deus Quetzalcoatl que voltava. " (GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América)
[...]
" No México, os astecas cultuavam o deus Quetzalcoatl. Ele personificava a sabedoria e o conhecimento e foi quem lhes deu, entre outras coisas, o chocolate.Os astecas acreditavam que Quetzalcoatl trouxera do céu para o povo as sementes de cacau. Eles "festejavam" as colheitas com rituais de sacrifícios humanos, oferecendo às vítimas taças de chocolate.Um dia, Quetzalcoatl ficou velho e decidiu abandonar os astecas. Partiu em uma jangada de serpentes para o seu lugar de origem, a Terra do Ouro. Antes de partir, porém, ele prometeu voltar no ano de "um cunho", que ocorria uma vez a cada ciclo de 52 anos no calendário que ele mesmo criara para os astecas. "
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