Sunday, October 22, 2006





Quereria que amanhã não fosse tarde para dizer "eu te amo" hoje.
Suplicaria por isso a quem quer que fosse: amanhã não ser daqui a pouco tempo demais.

Tempo de ver fenecer o que se tem hoje.
É penoso admitir, eu sei. Mas amanhã já é bem tarde pra esses que amam demais.

Pra quem ama demais, tarde é breve. E tudo é tão grande e tão talvez inexprimível.
Tudo é tão grande e tão talvez...
Amanhã pode estar imortal o amor. Mas o "eu te amo" de hoje morreu... E ele morre bem vazio, bem desperdiçado, bem morno.

E talvez - pra que dizer "eu te amo"? Pra não ser tarde?
E pra ter raiva, mais tarde.
Mais tarde se tem raiva de se dizer um clichê pra quem também é.
Tudo bem. Eu não amaria clichês...

Mas eu sei que eu amaria clichês,
Seria completamente capaz de amá-los,
Porque meu apego se classifica tão ridículo quanto todos esses amores tidos.

Se amanhã não fosse excessivamente tarde pra dizer "eu te amo" hoje,
Aí eu pensaria menos em dizer. Ou menos pra dizer.
Pensaria bem menos em jargões, em palavras, em coisas tardias...
Mas amanhã é breve e bem rápido e bem tarde...



E eu aqui. Sem dizer de amor. Sem dizer de nada. Pensando em clichês parcos, em desperdícios medíocres. Desperdiçando cogitações em coisas mornas...
Ridículo. Ridículo tanto quanto o que foi dito de amor.


Fernanda Lobo

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