Wednesday, September 28, 2005

Andam chamando de música meia dúzia de notas mal-acabadas.

Andam chamando de pessoas meia dúzia de pares de pernas errantes.

Chamam, ainda, beleza meia dúzia de blocos de concretos empilhados e pré-planejados...

Esquecem-se das melodias e ritmos, das almas e mentes, das cores e da lua...

Andam dizendo necessária uma dúzia de elementos descartáveis...

Andam necessitando de mais de duas dúzias de horas por dia...

Necessitam, ainda, de comer e beber, somar e multiplicar, ir e vir...

Esquecem-se, porém, do ar e da liberdade, do tempo que não volta, de alimentar o espírito e somar ao entendimento, ir além da superfície visível e óbvia...

Andam implorando que você se adapte.

Imploram para que você se venda ao time dos milionários miseráveis e que exiba o sorriso que amarrou à face para fingir ser feliz...

Mas se esquecem de que, um dia, você poderá respirar,
voltar q sentir o Ser humano que não morre, mesmo envenenado com doses altas de cafeína;
se levantar e ouvir a música, enxergar as cores, tocar uma alma, cheirar a chuva que ameaça e,
quem sabe, sentir o gosto de VIVER!!!

Fernanda Lobo

Tuesday, September 27, 2005

Sorri pra te provocar
Vai embora pra te ver atrás
Fala com tantos rodeios pra te ver direto
Rejeita para sentir tua mão detê-la com força
Faz pose pra te ver por baixo, de cima
Não erra para se acreditar perfeita
Faz do frio a explosão do quente
Faz do nome talvez, força latente

Faz da voz o convite sutil
Dos ouvidos, o silêncio de entrega
Das mãos, a leveza e a brancura da neve
Com o calor e a umidade do corpo.

Quer te escutar de perto
Quer te falar de mais perto ainda
Quer vencer a briga e te ver rendido
Quer, antes de tudo se render,
Depois de muita voz, muita palavra dita
Depois de muitos olhos dentro da alma,
Depois de muitas certezas desperdiçadas
Muita verdade atropelada.

Ah, se soubesses o calor
e se soubesses o calor que faz quando a menina cisma
e a liberdade que ela tem, que ninguém ousa tirar.
E a saudade que ela tem de que sabe-se lá
E da intensidade de um momento quando ela se deixar
E ela te convence, te complica
Te acorrenta , te explicita
Te confunde e te acorda
só por ser você quem a faz calar.

Veja a porta:
Para adentrar por necessidade ou por curiosidade e sede.
Olhe o corredor:
Vezes obscuro como meia-noite exata, e vezes iluminado e elucidante como o nascer de um sol. Há o lugar principal, sacro,intocável: que guarda a infância e os brinquedos; os banhos de chuva, viagens de foguete, ou velocípede; cuidado de mãe; decepção, abraço de pai; choro de manha; amizade de irmão; música e dança; vento na cara; sujeira experimental; tombo de bicicleta; amor platônico;descoberta de espelho; briga de primo...
Há o próximo lugar, quase uma extensão, um complemento:
que abriga a caminhada desvairada, que contém os tropeços ignorantes, a valentia desmedida, o descortinar de um mundo desconhecido, o desejo de tudo, a posse de pouco; o debater-se em questões; o entregar-se à vida sem restrições; o viver sem ter motivos para se deter...
Depois, o quintal:
a percepção do ar, dos sorrisos, dos abraços; a concepção de um Universo; a paz ante um momento; o sonhar a concretude; o desejar antes de tudo, o fazer depois da certeza; o deslumbrar causa e conseqüência; o quase tocar espírito; o amar com altruísmo; o ser feliz em fazer bem e a certeza de que a jornada é longa e de que poucos foram os passos dados...Mas foram dados e LINDOS.
Fernanda Lobo