
Veja a porta:
Para adentrar por necessidade ou por curiosidade e sede.
Olhe o corredor:
Vezes obscuro como meia-noite exata, e vezes iluminado e elucidante como o nascer de um sol. Há o lugar principal, sacro,intocável: que guarda a infância e os brinquedos; os banhos de chuva, viagens de foguete, ou velocípede; cuidado de mãe; decepção, abraço de pai; choro de manha; amizade de irmão; música e dança; vento na cara; sujeira experimental; tombo de bicicleta; amor platônico;descoberta de espelho; briga de primo...
Há o próximo lugar, quase uma extensão, um complemento:
que abriga a caminhada desvairada, que contém os tropeços ignorantes, a valentia desmedida, o descortinar de um mundo desconhecido, o desejo de tudo, a posse de pouco; o debater-se em questões; o entregar-se à vida sem restrições; o viver sem ter motivos para se deter...
Depois, o quintal:
a percepção do ar, dos sorrisos, dos abraços; a concepção de um Universo; a paz ante um momento; o sonhar a concretude; o desejar antes de tudo, o fazer depois da certeza; o deslumbrar causa e conseqüência; o quase tocar espírito; o amar com altruísmo; o ser feliz em fazer bem e a certeza de que a jornada é longa e de que poucos foram os passos dados...Mas foram dados e LINDOS.
Fernanda Lobo
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