Tuesday, July 18, 2006


Balada De Agosto

Zeca Baleiro

Lá fora a chuva desaba e aqui no meu rosto
Cinzas de agosto e na mesa o vinho derramado
Tanto orgulho que não meço
O remorso das palavras
Que não digo

Mesmo na luz não há quem possa
Se esconder do escuro
Duro caminho o vento a voz da tempestade
No filme ou na novela
É o disfarce que revela o bandido

Meu coração vive cheio de amor e deserto
Perto de ti dança a minha alma desarmada
Nada peço ao sol que brilha
Se o mar é uma armadilha
Nos teus olhos

Wednesday, July 12, 2006


Nem sou tão de me isentar da culpa que tenho, mas nesse ponto não vejo falta em mim, já que não se pode imputar pena a uma criança que, de repente, é pegada desprevenida pela imagem da guloseima. Não pode senão a venerar e a querer.
Fui também pegada desprevenida por isso, que são as coisas que existem, e não posso me ver culpada por querer tudo.
Como o homem que perde a linha de passagem entre admirar as belas pernas e querê-las, eu passei, por impulso- é verdade- , a ponte que passa de admirar tudo ao querer.
Não me detenho apenas a me entregar a essa demanda insana de tudo, mas há momentos em que não parece haver o que seja melhor do que nada. Isso porque, para mim, não basta o que é dito melhor do que nada.
Todavia, não pretendo que meu tudo seja sem limites. Limites, os odeio. Mas eles imperam. E me dão um consolo árduo de que quero um tudo com limites.
Existe o que eu não queira. E se não quero é pelo exclusivo motivo de não ser parte do meu tudo. Existe o que não desperte em mim interesse e dói ver limites assim em mim mesma.
Mas o tudo sem limites talvez fosse pior, quiçá impossível.
Também, a que vastidão de nada me levaria o querer tudo só para mim. O querer tudo sem colocá-lo à disposição de outrem. Sem fazer do transbordo do tudo, fonte que dê de beber a quem bem quero..
Não vejo onde me esconder desse querer: a criança já viu o doce, o homem já viu as pernas e eu me torno a cada dia o tudo que quero..e vão é sacudir a cabeça aliado àqueles tapinhas que pretendem exorcizar um hóspede indesejado de querer tudo: está aqui e é lamentável admitir, mas eu não tenho culpa.

Fernanda Lobo

Tuesday, July 11, 2006

CURTA!!!

http://media.putfile.com/balance/320

Christoph e Wolfgang Lauenstein, Alemanha.

ps.: O Castigo do Egoísta

Quem não sabe viver com caridade e abraçar a dor dos outros, tem como castigo sentir com violência intolerável a dor própria. A dor só pode suportar-se tornando-a comum e compartilhando-a com os outros que sofrem. O castigo do egoísta está em só disso se aperceber sob a férula (castigo), tentando em vão aprender a caridade, por interesse.

Cesare Pavese, in 'O Ofício de Viver'

O Homem - Um Ser Egoísta

O motor principal e fundamental no homem, bem como nos animais, é o egoísmo, ou seja, o impulso à existência e ao bem-estar. [...] Na verdade, tanto nos animais quanto nos seres humanos, o egoísmo chega a ser idêntico, pois em ambos une-se perfeitamente ao seu âmago e à sua essência. Desse modo, todas as acções dos homens e dos animais surgem, em regra, do egoísmo, e a ele também se atribui sempre a tentativa de explicar uma determinada acção. Nas suas acções baseia-se também, em geral, o cálculo de todos os meios pelos quais procura-se dirigir os seres humanos a um objectivo. Por natureza, o egoísmo é ilimitado: o homem quer conservar a sua existência utilizando qualquer meio ao seu alcance, quer ficar totalmente livre das dores que também incluem a falta e a privação, quer a maior quantidade possível de bem-estar e todo o prazer de que for capaz, e chega até mesmo a tentar desenvolver em si mesmo, quando possível, novas capacidades de deleite. Tudo o que se opõe ao ímpeto do seu egoísmo provoca o seu mau humor, a sua ira e o seu ódio: ele tentará aniquilá-lo como a um inimigo. Quer possivelmente desfrutar de tudo e possuir tudo; mas, como isso é impossível, quer, pelo menos, dominar tudo: 'Tudo para mim e nada para os outros' é o seu lema. O egoísmo é gigantesco: ele rege o mundo.

Arthur Schopenhauer, in 'A Arte de Insultar'

Saturday, July 01, 2006


Eu gosto mesmo é de poesia!
Nada parecido com letrinhas miúdas, simétrica e proporcionalmente colocadas em um papel.

Gosto de poesia. Mas a outra.
A poesia de que gosto é o que as poesias me provocam: é o que se parece com lágrimas sublimadas e me enche num soar de sílabas, num unir de palavras inventadas umas para as outras.

A poesia de meu gosto é aquilo que nao se sabe ser frio ou quente e que vai nao se sabe se na espinha ou no estomago como uma estrela cadente na virada repentina da música, ou quando o cantor pronuncia a palavra diferente. Uma palavrinha.

Poesia boa é, na viagem, encostar a cabeça na janela do carro e respirar, por ali mesmo, os novos ares que estao por vir, como se só o passar veloz das árvores verdes e o permanecer pacífico do céu azul já fossem suficientes para trazer tais ares.

Poesia mesmo é ter amigo. Amigos sao tao rudes(de várias formas) e, por vezes, tao desinteressantes. Mas aquela afobaçao que nao sabem esconder diante de qualquer esboço de lágrimas do amigo é poética, porque sentem que isso lhes dói mais do que se tivessem culpa.

E eu gosto dessa poesia que é o vento batendo no rosto, enquanto caminho só. E canto.

Gosto é dessa poesia amarga que me fala de todos os metros quadrados nos quais eu gostaria de estar, enquanto sei que estarei em poucos deles- mesmo querendo a rima de todos os lugares que existem.

Abraço de mae tem outra poesia: voce está escondido, sente que nada vai mudar, e se sente confortável assim mesmo.

Sorriso de irmao é poesia escrita em dialeto. Só eles sabem ler.

Poesia pode até ser tardia, como conselho de pai. A forte poesia. Mas que só se sabe ler depois de ter lido várias- e consultando o dicionário.

A outra poesia é o segundo antes do beijo, é a cabeça rodando antes de dizer o que vai dizer, é ver futebol torcendo de verdade, é pisar o chao depois dos piores sapatos, é uma surpresa azul, é um filme que eu nunca conseguiria bolar e- por que nao?- uma boa prosa em preto e branco que eu traduzo para poesia verde e vermelha, para as cores que eu bem entender...

Fernanda Lobo

Wednesday, June 21, 2006


Só que, às vezes, queria saber como seria não me ser.

Ser outro. Ser você. A impressão que tenho é a de que minha existência se vê limitada. A mim.

E isso me provoca uma inquietude incurável. Isso me põe na alma a extensão um moinho, que gira todo o tempo pela mesma tarefa, pelo mesmo fim, e tem sua existência limitada a ser o que é.

Talvez, exista, fora de mim, algo diferente desse ciclo, dessa forma, dessa linha, do limite. Talvez, haja fora, um trajeto melhor, pior, diferente... talvez.

Talvez, seja tudo igual.

Talvez, quando eu me vejo reagindo, eu seja só um animal, uma presa ameaçada por um caçador, tentando sua defesa, por vezes, vã.

Talvez, quando eu chore, seja só uma nuvem que se desfez quando não agüentou a densidade do que o sol, o próprio sol da vida, fez com que chegasse a ela.

Talvez, minha vida não passe do terremoto, dos movimentos de placas tectônicas, que fazem inexistir segurança, o estável, a certeza...

Talvez, eu não seja mais do que o mundo, devo ser só isso tudo... Talvez seja tudo igual. Dentro e fora.

Mas eu ainda acho que talvez, haja algo, fora de me ser, que eu deveria conhecer.

Fernanda Lobo

..."Se o sol se cansa
e a noite lenta quer ir pra cama,
marmota sonolenta,
eu, de repente, inflamo a minha flama
e o dia fulge novamente.
Brilhar pra sempre,
brilhar como um farol,
brilhar com brilho eterno,
gente é pra brilhar,
que tudo mais vá pro inferno,
este é o meu slogan e o do sol".
Maiakovski

Monday, June 19, 2006


Katherine Mansfield

Meu espírito está quase morto. Minha fonte de vida, tão faminta que secou. Quase todas as minhas melhoras de saúde são pura farsa - teatro. Que significam? Posso caminhar? Apenas me arrastar. Posso fazer qualquer coisa com as mãos e o corpo? Nada. Sou uma inválida sem esperança alguma. O que é a minha vida? A existência de um parasita. Cinco anos já se passaram, e estou num cativeiro mais estreito do que nunca.
Portanto, se o Grande Lama do Tibet prometeu ajudar - como pode hesitar? Arrisque! Arrisque tudo! Não dê importância à opinião dos outros, àquelas vozes. Faça o mais difícil nesta terra para você. Aja por si mesma. Enfrente a verdade.
Certo, Tchekov não a enfrentou. Sim, mas Tchekov morreu. E sejamos honestos, o que sabemos de Tchecov a partir de suas cartas? Isso foi tudo? É claro que não. Não é de se supor que ele tenha tido uma vida inteira de desejos sobre a qual dificilmente se encontra uma palavra? Leiam-se as últimas cartas. Ele abriu mão da esperança. Eliminando-se os elementos sentimentais dessas cartas finais, elas são terríveis. Não há mais Tchecov. A doença o tragou.
Mas talvez, para as pessoas que não estão doentes, tudo isso seja absurdo. Nunca viajaram por essa estrada. Como podem saber onde é que estou? Tanto mais razão para avançar ousadamente, sozinha. A vida não é simples. Apesar de tudo o que dizemos sobre o mistério da Vida, quando chegamos perto, queremos tratá-lo como se fosse um conto infantil....
Mas, Katherine, o que você quer dizer com saúde? E por que você a deseja?
Resposta: saúde para mim significa poder viver uma vida plena, adulta, viva, de fôlego, em contato íntimo com o que amo - a terra e suas maravilhas - o mar - o sol. Tudo a que nos referimos quando falamos do mundo externo. Quero entrar nele, fazer parte dele, viver nele, aprender com ele, perder tudo o que em mim é superficial e adquirido e tornar-me um ser humano direto e consciente. Quero, compreendendo a mim mesma, compreender os outros. Quero ser tudo o que sou capaz de me tornar, para que possa ser (e aqui parei e esperei, mas não adianta - só há uma expressão possível) uma filha do sol. Sobre ajudar os outros, carregar uma luz e assim por diante, parece falso dizer qualquer palavra. Fiquemos com esta Uma filha do sol.
Depois, quero trabalhar. Em quê? Quero viver de modo a trabalhar com as mãos e o cérebro. Quero um jardim, uma pequena casa, grama, animais, livros, quadros música. E a partir disso tudo, para exprimi-lo, quero escrever.
Mas uma vida quente, ávida, viva ¿ enraizada na vida - para aprender, desejar, saber, sentir, pensar, agir. É o que desejo. Nada menos. É o que tenho de tentar."

Algumas Cartas e Trechos do Diário, ed. Noa Noa, 1988, tradução Rosaura Eichenberg

Saturday, June 17, 2006


" é mais fácil cultuar os mortos que os vivos

mais fácil viver de sombras que de sóis

é mais fácil mimeografar o passado

que imprimir o futuro. "

Sunday, June 04, 2006

Há quem encontre o fio da meada...


"Como todo ser vivo, procurei atingir meu ser e, para isso, inspirei-me nas experiências nas quais tinha a ilusão de haver chegado a isso.

Conhecer era, como em minhas contemplações infantis, oferecer minha consciência ao mundo, arrancá-la do nada do passado, das trevas da ausência; parecia-me realizar a impossível união do em si e do para si, quando me perdia no objeto que olhava, nos momentos de êxtases físicos ou afetivos, no encantamento da lembrança, no pressentimento entusiasta do futuro.

E desejava também materializar-me em livros que seriam como os que amara, coisas existindo para o outro, só que marcadas por uma presença: a minha.

Toda a busca do ser está fadada ao fracasso; esse mesmo fracasso, porém, pode ser assumido. Renunciando ao sonho vão de nos tornarmos deus, podemos satisfazer-nos simplesmente em existir. Saber não é possuir e, no entanto, não me canso de aprender. Desejava participar da eternidade de uma obra na qual me encarnaria, mas principalmente queria ser ouvida por meus contemporâneos.»

Simone de Beauvoir

Tuesday, May 30, 2006


Sentir um grito é mais do que ouvir.
É estremecer dentro, mesmo se não se sabe ser o grito de liberdade ou pavor.

Sentir as palavras é mais do que ler.
É saber um acréscimo de estranhamento em si, estranhamento por ter sido abusado dentro de si um lugar nunca tocado. Abusado por palavras. É se deixar exorcizar pelo inteligível.

Sentir um sabor é mais do que gostar.
É se entregar a um delírio tão momentâneo quanto consumidor, é querer mais o prazer do que o prêmio.

Sentir um perfume é mais, é bem mais do que cheirar.
É ter certeza de que o momento existe, é se saber em um sonho quase realizado. Realizado até que finde. Sem lembrar que findará.

Há sons que ultrapassam a sonoridade, há sons que trazem gostos; que têm mãos para enfiá-las em seus seios. E arrancar em enxurradas o que houver de mais compacto.

Há cheiros que se eternizam.

Há palavras que têm vida, que confrontam, que entendem.

E há vidas que, sentidas, ultrapassam respirar, ultrapassam uma biologia funcional. São as que se deixam invadir pelo que há que se sentir por detrás do que existir.

Fernanda Lobo

Saturday, May 27, 2006



fernanda diz:
os dois tão conversando longe, mas parece que tão perto ,sabe?
fernanda diz:
rindo...
fernanda diz:
uma paz....
luisa diz:
vou ver
fernanda diz:
adoro janelas grandes
luisa diz:
tb!
luisa diz:
adoro a janela do meu quarto novo pq ela é grande
luisa diz:
a do outro era pequena
luisa diz:
;/
fernanda diz:
é... a minha é grande
fernanda diz:
faz minha vida muito melhor a minha janela
fernanda diz:
minha janela e meus travesseiros
luisa diz:
essa janela é muito muito grande
luisa diz:
bonita mesmo a foto
fernanda diz:
num é?
fernanda diz:
delicia
fernanda diz:
eu fiquei um tempão olhando essa foto
fernanda diz:
vou por no blog
fernanda diz:
q q eu escrevo?
luisa diz:
coisas simples, mas fundamentais
luisa diz:
janelas e travesseiros
fernanda diz:
a gente é muito amelie tb com essas ondas
luisa diz:
hm.. escreve o que vc me disse
luisa diz:
que eles tão longe mas parece que estão perto...

Thursday, May 25, 2006


"Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim".

Cazuza

Wednesday, May 17, 2006


... A palavra
Pablo Neruda


Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ... Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ... Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ... Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda ... Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas .Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras*, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca. mais,se viu no mundo ... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.


*Butifarra: espécie de chouriço ou lingüiça feita principalmente na Catalunha, Valência e Baleares. (N. da T.)

Thursday, May 11, 2006

Pose pra foto, meninos de rua!


"Eles são deuses
Eles não são
Eles são deuses
Claro que não
Eles são deuses
E ninguém é
Eles são deuses
Porque são deuses
Porque só deuses
Vivem sem fé."

Saturday, April 29, 2006

Sartre




A autenticidade exige que se aceite sofrer,
por fidelidade a si próprio, por fidelidade ao mundo.
Porque nós somos livres-para-sofrer e livres-para-não-sofrer.
Somos responsáveis pela forma e pela intensidade dos nossos sofrimentos.
É muito fácil perder a cabeça, muito fácil também ser estóico.
Mas nestes últimos tempos sinto que é quase impossível aguentar a autenticidade.

Tuesday, April 11, 2006


Se você olhasse a lua
Meu olhar nela estaria
Esses olhos se encontrariam
E logo, eu existiria
Nas marés de gestos seus
Sentir a luz costumeira
Dos fulgores que foram breus.

Se você escolhesse uma estrela
Dentre todas, seria a que vejo
E eu veria o sorriso a que não me acostumo
E seria uma imensidão de danças de estrelas
Solitárias, inadequadas e belas
Em infinitudes de sons
Ritmados, harmônicos e quentes...

Seria noite de profundidades
Na qual a Lua embaçaria o real
E eu não mais acreditaria no visível
E a verdade não seria o sombrio ,
Mas a Lua emprestando de uma estrela brilho para si
E eu emprestando para mim o brilho. De você.

Thursday, April 06, 2006

"Ah, não! Já acabou??? Num acredito!"


é assim que se diz quando se lê um livro de Neruda terminado com esses versos:

"porque assim nos parece que é o mundo:
uma pista infinita de campeões
e em um lugar nós, esquecidos
por culpa talvez de todos os outros
porque eram tão parecidos conosco
até que roubaram seus lauréis,
suas medalhas, seus títulos, seus nomes."

Monday, April 03, 2006


Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em taltal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Neruda

Tuesday, March 28, 2006


Cola o teu desenho no meu
Pra ver se cola
Cola o meu retrato no teu e me namora
Comigo nessa dança
Um sonho de criança
E o meu coração colado ao teu
pra ver se cola... =)

Friday, March 24, 2006

" Ei, senta aqui. Ouve essa música! "


Abre os teus armários.
Eu estou a te esperar
Para ver deitar o sol sobre os teus braços castos.
Cobre a culpa vã
Até amanhã eu vou ficar
E fazer do teu sorriso um abrigo.

Canta que é no canto que eu vou chegar.
Canta o teu encanto que é pra me encantar.
Canta para mim, qualquer coisa assim sobre você.
Que explique a minha paz.Tristeza nunca mais.

Vale o meu pranto que esse canto em solidão.
Nessa espera o mundo gira em linhas tortas.
Abre essa janela
A primavera quer entrar
Pra fazer da nossa voz uma só nota.

Canto que é de canto que eu vou chegar.
Canto e toco um tanto que é pra te encantar.
Canto para mim qualquer coisa assim sobre você.
Que explique a minha paz. Tristeza nunca mais.

Marcelo Camelo

"casa pré-fabricada" com Los Hermanos
"casa pré-fabricada" com Maria Rita
"casa pré-fabricada" com Los Hermanos
"casa pré-fabricada" com Maria Rita
...

assim o Media Player hoje... =)