" Meu avô me convidou, naquela tarde, para me assentar ao seu lado nesse banco cansado. Pegou minha mão e sem tirar os olhos do horizonte me contou: ' O tempo tem uma boca imensa. com sua boca do tamanho da eternidade, ele vai devorando tudo sem piedade. O tempo não tem pena. Mastiga rios, árvores, crepúsculos. Tritura os dias, as noites, o sol, a lua, as estrelas. Ele é dono de tudo. Pacientemente, ele engole todas as coisas, degustando nuvens, chuvas, terras, lavouras. Ele consome as histórias e saboreia os amores. Nada fica para depois do tempo. Sua garganta traga as estações, os milênios, o ocidente, o oriente, tudo sem retorno. E nós, meu neto, marchamos em direção à boca do tempo.'
Meu avô foi abaixando a cabeça e seus olhos tocaram em nossas mãos entrelaçadas. Eu achei serem pingos de chuva as gotas rolando sobre meus dedos, mas a noite estava clara, como tudo mais."
Bartolomeu Campos Queirós
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" [...] e quando meu coração amadurecer e se talvez eu voltar a te encontrar, vai ser como voltamos aos colégios e lugares grandes da infância e os descobrimos bem menores, e aí tu estarás do meu tamanho e ao meu alcance, nem que seja para um tchau que acabe quando eu atravessar a rua."
Benhur Bortolotto
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