
... e num constante exercício de manter longe as vendas dos meus olhos, e só conhecer o que cria vida foi que eu descortinei, ainda que mal saída de uma morte qualquer, que talvez estivesse enganada e que a minha visão de mim mesma fosse a mais deformada de todas.
Passei a duvidar do meu acesso a mim e a procurar a ponte entre mim e eu, a desconfiar que eu falava outra língua, senão essa que bem conheço. Falasse a língua intocável e muito interior de símbolos e fonemas tão extremos e agudos que qualquer outra pessoa que conhecesse não a suportaria. A força da minha língua interior é insuportável. É um pouco como esse zunir agudo e contínuo no ouvido do mundo.
Derramo, neste caso, meu perdão inegável e puro a vocês que não toleram um idioma abstrato e enjoadinho e que têm compreensível indisposição para tocar no que explode e se espalha, que querem, com razão, se livrar dessas complicações do sujeito. Por Deus que eu também quero ser objeto!...
Fernanda Lobo
Passei a duvidar do meu acesso a mim e a procurar a ponte entre mim e eu, a desconfiar que eu falava outra língua, senão essa que bem conheço. Falasse a língua intocável e muito interior de símbolos e fonemas tão extremos e agudos que qualquer outra pessoa que conhecesse não a suportaria. A força da minha língua interior é insuportável. É um pouco como esse zunir agudo e contínuo no ouvido do mundo.
Derramo, neste caso, meu perdão inegável e puro a vocês que não toleram um idioma abstrato e enjoadinho e que têm compreensível indisposição para tocar no que explode e se espalha, que querem, com razão, se livrar dessas complicações do sujeito. Por Deus que eu também quero ser objeto!...
Fernanda Lobo
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