Monday, September 04, 2006


Eu vou me completando.
Me completo até quando a incompletude me for bastante.
Porque ser inteiro não quer dizer ser completo.
Ser inteiro sei o que é, e ser completo desconheço.

Vivendo cada coisa sem futuro, eu me completo.
Eu colho as rosas e ajunto os cacos depois, já que gosto de ser assim: de rosas e cacos.
Posso escolher juntar só rosas, ou só cacos. Mas eu quero os dois.

Vivendo cada assunto desimportante, completo a parte fundamental.
Vivendo cada onda que eu não sei de onde vem, ou aonde vai dar,
eu só quero me tornar o mar- conter todas as ondas.

E, conhecendo coisas que não vão dar em nada, eu conheço pequenas porções de completude.

Porque só é grande quem nunca é completo- quem diria estar a grandeza no que falta?- e maior é aquele a quem basta seu existir. Incompleto.

Fernanda Lobo

1 comment:

Anonymous said...

"Poeta, meu poeta vagabundo
quem dera todo mundo fosse assim feito você
que a vida não gosta de esperar
a vida é pra valer
a vida é pra levar"...

éxtasis =**