Wednesday, June 21, 2006


Só que, às vezes, queria saber como seria não me ser.

Ser outro. Ser você. A impressão que tenho é a de que minha existência se vê limitada. A mim.

E isso me provoca uma inquietude incurável. Isso me põe na alma a extensão um moinho, que gira todo o tempo pela mesma tarefa, pelo mesmo fim, e tem sua existência limitada a ser o que é.

Talvez, exista, fora de mim, algo diferente desse ciclo, dessa forma, dessa linha, do limite. Talvez, haja fora, um trajeto melhor, pior, diferente... talvez.

Talvez, seja tudo igual.

Talvez, quando eu me vejo reagindo, eu seja só um animal, uma presa ameaçada por um caçador, tentando sua defesa, por vezes, vã.

Talvez, quando eu chore, seja só uma nuvem que se desfez quando não agüentou a densidade do que o sol, o próprio sol da vida, fez com que chegasse a ela.

Talvez, minha vida não passe do terremoto, dos movimentos de placas tectônicas, que fazem inexistir segurança, o estável, a certeza...

Talvez, eu não seja mais do que o mundo, devo ser só isso tudo... Talvez seja tudo igual. Dentro e fora.

Mas eu ainda acho que talvez, haja algo, fora de me ser, que eu deveria conhecer.

Fernanda Lobo

3 comments:

Anonymous said...

how could i not comment such a beaufull poem? (I know that somes will consider this as a text... but is a poem for me)
... and if i tell you that sometimes i have the same wish?! you have found anoter sympathizing in your quest... at least I don´t have a limited vision of you =D
no... I couldn´t write this in your language... it´s yours, not mine

Anonymous said...

putz.. não entendi nada.
pera aí, vou ler de novo...

Anonymous said...

ah, tá.. agora sim.
nossa, bonito hein?!
gostei..